Doar, doar, doar. Eu entendo que o mundo precise de doações, mas às vezes as pessoas passam do limite para consegui-las.
Em meados de janeiro adoeci. Depois de ter passado 3 semanas no calorzinho de 30o nordestino, voltei para uma Holanda de -3o. Estava no meu segundo dia de cama, quando ouvi a campainha. `A porta estava uma funcionária entusiasmada da ONG
tal - decidi não revelar o nome e depois explicarei o porquê.

Contou que trabalhava para a tal ONG e que estava procurando doadores: de um saco de salgadinhos `a 2 euros que fossem. Eu sempre me sensibilizo quando vejo pessoas que se doam a esse tipo de trabalho. Por essa razão, decidi doar - sem levar em consideração o fato de que tinha uns 50 euros na conta corrente, nada na poupança e a outra metade do mês ainda estava por vir. Dois euros não me fariam diferença. Eu não compraria uma revista essa semana. Decidido. De repente a moça simpática me pergunta se pode entrar, pois eu a tinha deixado do lado de fora todo o tempo - vale lembrar que estava muito, muito frio. Mas eu tinha vários motivos: 1o Rick (meu namorado) é muito bagunceiro e eu já estava de cama a 2 dias. Pratos a lavar, roupas no chão, plantas a morrer. 2o Eu não gosto de deixar estranhos entrarem em minha casa. Grandes crimes acontecem dessa maneira e eu tinha lido no jornal daquela semana vários casos de roubos que começaram assim. 3o Eu estava de roupão. Quando entrei - com ela - para pegar o dinheiro, ela me informou que a ONG
tal não trabalhava daquela forma. Eu teria de preencher um formulário e eles debitariam o dinheiro da minha conta. Ótimo. Então ela mesma começou a preencher o formulário para mim. Pensei que fosse porque eu estava doente mas logo mais entenderia porque. Perguntou nome, endereço (hm, aonde você está?), telefone e, finalmente, o número da minha conta. Fui pegar meu cartão porque me deu um blackout e eu simplesmente não consegui lembrar o número da bendita. Quando fui assinar o papel, notei que ela havia preenchido "10 euros" (o_O) e um 'xis' no quadro que dizia 'doação mensal'. Imaginem a minha surpresa. Mas como eu diria para a moça que eu não estava de acordo com o que estava ali no papel? Eu não diria. A minha reação instantânea foi dar o número da conta errada. Eu estava doente, não queria briga e, para dizer a verdade, o choque foi tamanho que nem imaginei que houvesse outra maneira de reagir...
Quando Rick chegou em casa, contei o acontecido e ele ligou para o banco para garantir que nada seria debitado na minha conta. 'Não, não damos dados de clientes e o débito só ocorre se o cobrador tiver os dados corretos.' Ufa!
Hoje recebi uma ligação da ONG
tal dizendo que um dos meus dados estava incorreto - não disseram qual. Eu contei todo o acontecido e o rapaz do outro lado da linha foi bastante simpático e disse que registraria o ocorrido - por isso decidi não postar o nome da ONG.
Depois de tudo isso descobri que muitas dessas pessoas que trabalham de porta em porta recolhendo dinheiro para ONGs são estudantes que recebem por volta de 8 euros por hora! E lá se foi a minha admiração por eles.
Moral da história: nem todo mundo que trabalha com/para ONG é confiável/quer mudar o mundo.
Claro que esse post não teria sentido se não tivesse alguém pedindo, então aqui vai: no The Hunger Site [http://www.thehungersite.com] você pode doar comida, livros, mamografias, entre outros, de graça! Basta clicar nos links e os patrocinadores do site fazem o resto. Eu pus o site como home page inicial, assim nunca esqueço de clicar/doar.
Groetjes =)
Eu já caí numa dessas também. No meio da Kalverstraat, quis doar uma vez e depois percebi que todo mês retiravam dinheiro da minha conta. Ainda bem que, assim como no seu caso, o pessoal da ONG foi muito legal e me livrei logo do custo mensal. E o The Hunger Site é muito bom. Groetjes!
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