terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Entrando em 2010 com o pé... esquerdo

Todo fim de ano fico pensando nas resoluções para o ano novo. Normalmente tento escrever no máximo cinco, uma das quais eu sei que vou cumprir. Há duas que sempre se repetem, ano após ano. Essas são: emagrecer e passar menos tempo no computador. Essas eu nunca consigo alcançar por mais de dois meses. Quanto a passar muito tempo na frente do computador, hm, acho que o blog não foi lá uma ótima idéia. Esse ano adicionei também: gastar menos dinheiro com coisas supérfluas e praticar mais esportes (o que eu amo). Até agora a primeira está funcionando, já que eu não tenho dinheiro para gastar. Por fim, a resolução que eu sei que sempre será cumprida: beber bastante - pelo menos sempre posso dizer que cumpri ao menos uma delas.

Com as resoluções veêm as idéias de que o seu ano será bem melhor e que tudo vai mudar (mesmo que você não queira que tudo mude). Bem, o mínimo que eu posso dizer é que meu ano começou...mal. Explicarei.

Comecei o ano voltando para a Holanda. Literalmente. Estava sentada em uma poltrona super desconfortável da vôo AZ677 (nunca voem Alitalia) quando o piloto falou algo em italiano que eu não entendi. Quando ele traduziu para o inglês já estávamos em 2010. Achava que então receberíamos uma taça de champagne para comemorar, mas não. O rapaz que estava sentado do lado da janela pediu para que eu e Rick nos levantássemos porque ele queria ir banheiro. O detalhe é que eu tinha tomado uma pílula para dormir que não funcionou, mas me deixou muito, mas muito cansada.

Depois de uma viagem de 12 horas chegamos a uma Milão branca e muito fria. Tudo estava fechado. Eh, era primeiro de janeiro, deveríamos saber. Depois de termos esperados 8 horas pela conexão em uma cidade em que não se tinha nada para fazer chegamos em Amsterdam. Não posso dizer que estava feliz em voltar mas foi bom ver a minha casinha.

Não vou contar tudo de ruim que aconteceu no primeiro mês de 2010 porque seria muito cansativo. Estou quebrada, adoeci, odeio o meu cabelo, passei a comer 'comfort food', meu namorado tem um emprego que odeia (é, 2010 não começou ruim só para mim) e eu não tenho emprego. Aliás, tenho, mas não recebo nada. Faço trabalho voluntário.

As highlights do nosso 2010 até então: quando a temperatura na Holanda ficou -12o, na semana passada, o encanamento do nosso ap congelou e ficamos sem água. Sabe o que é o pior de ficar sem água? Não se pode dar descarga. Hm. Rick ligou para um amigo dele que é encanador e ele veio com um aparelho enorme, um aquecedor de canos o_O O problema é que o contador de água havia congelado, e só a prefeitura pode pôr um novo, já que eles têm números de registro. Bem, depois de termos pagado uma nota pelo contador novo, fomos aconselhados a contratar um eletricista para consertar o aquecedor do contador (!!!) Na manhã seguinte o aquecedor da sala estava quebrado. Hm. Então, depois de o termos consertado, decidimos ir relaxar na banheira dos meus sogros - que estão de férias na Tailândia. Pôr as chateações de lado. Ao chegarmos, tudo cheirava `a tinta. Hm. Mesmo com toda a bagunça, a noite foi legal. Ficamos um pouco adoentados, por causa do cheiro da tinta, mas tudo bem: tínhamos planejado um dia romântico na banheira. Acordamos no dia seguinte com o pintor (um amigo dos sogrinhos) batendo `a porta `as 9 da manhã (era sábado!!!).

Estou feliz que fevereiro tenha começado. Espero que o azar tenha ficado em janeiro. 2010 tem que ser melhor que isso. Ou talvez seja melhor acreditar que não, não criar expectativas. Afinal, eu termino o mestrado esse ano, preciso arrumar um emprego, meus sogros vão para o Brasil, meus pais vêm para a Holanda, eles não falam a mesma língua, tem COPA do mundo. É, não vai funcionar.

Groetjes o_O

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Doe-se.

Doar, doar, doar. Eu entendo que o mundo precise de doações, mas às vezes as pessoas passam do limite para consegui-las.

Em meados de janeiro adoeci. Depois de ter passado 3 semanas no calorzinho de 30o nordestino, voltei para uma Holanda de -3o. Estava no meu segundo dia de cama, quando ouvi a campainha. `A porta estava uma funcionária entusiasmada da ONG tal - decidi não revelar o nome e depois explicarei o porquê.
Contou que trabalhava para a tal ONG e que estava procurando doadores: de um saco de salgadinhos `a 2 euros que fossem. Eu sempre me sensibilizo quando vejo pessoas que se doam a esse tipo de trabalho. Por essa razão, decidi doar - sem levar em consideração o fato de que tinha uns 50 euros na conta corrente, nada na poupança e a outra metade do mês ainda estava por vir. Dois euros não me fariam diferença. Eu não compraria uma revista essa semana. Decidido. De repente a moça simpática me pergunta se pode entrar, pois eu a tinha deixado do lado de fora todo o tempo - vale lembrar que estava muito, muito frio. Mas eu tinha vários motivos: 1o Rick (meu namorado) é muito bagunceiro e eu já estava de cama a 2 dias. Pratos a lavar, roupas no chão, plantas a morrer. 2o Eu não gosto de deixar estranhos entrarem em minha casa. Grandes crimes acontecem dessa maneira e eu tinha lido no jornal daquela semana vários casos de roubos que começaram assim. 3o Eu estava de roupão. Quando entrei - com ela - para pegar o dinheiro, ela me informou que a ONG tal não trabalhava daquela forma. Eu teria de preencher um formulário e eles debitariam o dinheiro da minha conta. Ótimo. Então ela mesma começou a preencher o formulário para mim. Pensei que fosse porque eu estava doente mas logo mais entenderia porque. Perguntou nome, endereço (hm, aonde você está?), telefone e, finalmente, o número da minha conta. Fui pegar meu cartão porque me deu um blackout e eu simplesmente não consegui lembrar o número da bendita. Quando fui assinar o papel, notei que ela havia preenchido "10 euros" (o_O) e um 'xis' no quadro que dizia 'doação mensal'. Imaginem a minha surpresa. Mas como eu diria para a moça que eu não estava de acordo com o que estava ali no papel? Eu não diria. A minha reação instantânea foi dar o número da conta errada. Eu estava doente, não queria briga e, para dizer a verdade, o choque foi tamanho que nem imaginei que houvesse outra maneira de reagir...

Quando Rick chegou em casa, contei o acontecido e ele ligou para o banco para garantir que nada seria debitado na minha conta. 'Não, não damos dados de clientes e o débito só ocorre se o cobrador tiver os dados corretos.' Ufa!

Hoje recebi uma ligação da ONG tal dizendo que um dos meus dados estava incorreto - não disseram qual. Eu contei todo o acontecido e o rapaz do outro lado da linha foi bastante simpático e disse que registraria o ocorrido - por isso decidi não postar o nome da ONG.

Depois de tudo isso descobri que muitas dessas pessoas que trabalham de porta em porta recolhendo dinheiro para ONGs são estudantes que recebem por volta de 8 euros por hora! E lá se foi a minha admiração por eles.

Moral da história: nem todo mundo que trabalha com/para ONG é confiável/quer mudar o mundo.

Claro que esse post não teria sentido se não tivesse alguém pedindo, então aqui vai: no The Hunger Site [http://www.thehungersite.com] você pode doar comida, livros, mamografias, entre outros, de graça! Basta clicar nos links e os patrocinadores do site fazem o resto. Eu pus o site como home page inicial, assim nunca esqueço de clicar/doar.

Groetjes =)